na mesma situação que eu, estão tantas outras raparigas, cheias de dúvidas e perguntas, quando o que queriam era ter certezas e respostas. há sempre uma altura em que se transformam, a partir daquele momento traçam o seu caminho, decidem como querem ser, como tratar quem as rodeia, se preferem ser cruéis a uma pessoa doce e amiga. muitas, não passam uns simples cinco minutos sem ver o seu reflexo num espelho, por se acharem lindas, outras, como eu, passam alguns minutos a fixar esse tal espelho, mas para tentarem esclarecer as tais dúvidas. quando vejo a minha imagem reflectida, não gosto do que vejo, em tempos já gostei, agora, não passo de um conjunto de membros ligados, prestes a perder as forças para continuar em pé. antes quando me via, via uma rapariga com um grande futuro, pensava que podia ter tudo o que queria, pois foi isso que sempre ouvi, "tu podes ter tudo o que quiseres", mas agora, a pequena certeza que tenho, é que não é assim. agora quando me vejo, reparo que o antes, era melhor que o depois, que meu rosto irradiava um brilho especial e agora é escuro, olho-me nos olhos e encontro uma enorme tristeza, e bem lá no fundo, uma garra gigante, uma vontade incontrolável de mostrar quem sou, de lutar por todas as pequenas e grandes coisas que quero e sonho, que desejo e necessito. mas a pessoa que está à minha frente, neste bocadinho de vidro, não a reconheço, não me sinto eu. o que vejo é uma pessoa fraca, incapaz de fazer de tudo para ser feliz, com uma raiva tremenda, com vontade de gritar com o mundo, perguntar onde se escondeu a força antes notável. peguei num bâton e no espelho, mesmo sob o meu rosto só consigo escrever: quem sou eu?

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