de repente, parece que o meu corpo tomou posse de si próprio. não obedece a nada do que digo. quanto mais me quero afastar de ti, mais ele te procura, quando eu pensava que a minha voz tinha perdido a força, ganhou vontade própria e expressasse quando menos o devia fazer. enquanto antes todos os meus dedos estavam entrelaçados nos teus, pois agora é o contrário, têm que se contentar com o vácuo, com a indiferença. agora, os únicos movimentos que são capazes de fazer, são limpar o meu rosto e fazer uma força gigante contra o meu peito, para estancar esta ferida enorme que teima em não parar de sangrar, a dar constantemente sinais de que está aqui, bem aberta e não quer sarar de modo algum. gostava de te poder contar toda a verdade, que agi mal ao ponto que me odiasses, para poderes ser feliz, completamente, pois eu sentia que não estavas bem comigo, faltava-te qualquer coisa, que eu não poderia dar-te. mostrei-te uma pessoa que não a minha, para te deixar ir, para te sentires melhor, mesmo que não tenhas ficado com uma boa impressão minha, mas era esse o objectivo, dar-te uma razão para correres sem olhar para trás. só te peço, acredita nas minhas palavras, que durante todo o tempo em que te dei uma total entrega minha, foi tudo verdade, aliás para mim é verdade. queres que seja sincera? eu sou. enquanto tu pensas que naquela noite te menti, só tenho vontade de gritar bem alto para que oiças de uma vez por todas, que não é isso, ao contrário do que achas, permaneci no mesmo sítio, onde todas as noites esperava uma chamada tua, a contar-me todas as novidades e enquanto ouvia a tua voz, só pensava na sorte que tinha, e o meu subconsciente não me deixou continuar contigo, tive que arranjar algo para poderes ficar com alguém melhor, pois nunca me senti o suficiente para ti, mereces bem mais do que alguém com todos os meus defeitos. mas há algures uma barreira, que não me deixa encarar-te e revelar tudo isto, para perceberes que sacrifiquei o meu bem-estar pelo teu. eu sei que agora mesmo com toda a verdade, nada muda, mas lembra-te sempre, que eu pensei sempre primeiro em ti do que em mim, não me culpes. hoje e durante muito tempo, da tua criança..

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