quinta-feira

ela gostava de escrever na 3ªpessoa, de saber que durante aquele tempo em que escrevia, a sua alma ficava totalmente vazia, deixava de ter a necessidade de chorar, sentia-se segura, apesar das suas forças terem desaparecido. ela sabia que era uma maneira de não sentir nada, nem mesmo a mais pequena dor, era como se no meio de todas as palavras que ela escrevesse, juntava todas as letras até formar a palavra "liberdade". metia-se a encarar todos os seus receios, ela estava a analisar-se a si própria, tentou encontrar alguma coisa que a fizesse erguer. por breves momentos, abandonou o seu corpo, deixando-o assim à mercê de qualquer pessoa, já não queria saber de coisa alguma, desde que desaparecesse dali, nada mais lhe importava e assim foi. fechou os olhos e começou a vaguear por entre todos os seus sonhos e fantasias de pequena e percebeu que a tristeza a ocupava demasiado e, o sofrimento, o seu patrão, não a deixava tirar as merecidas férias, seguir um rumo diferente do qual ela já estava habituada e farta. quando ela as conseguiu e já estava na sua recuperação e a cicatrizar todos os vestígios da batalha com ela mesma, quebrou a promessa de não voltar a escrever e, com cada palavra que escrevia, era como se fosse um passo. tinham passado horas e ela continuava a escrever, já tinha feito uma longa caminhada, até que chegou ao fim da linha, não conseguia pegar mais na caneta, era como se esta lhe desse choques e aí, ela ergueu a cabeça e deparou-se com dois caminhos completamente opostos, tinha a decisão de decidir se era livre ou se continuava a andar para o abismo, mesmo depois de lhe terem mostrado todos os sinais de perigo, sem ter tempo de decidir algo, o seu corpo impulsou-se a ele mesmo para o lado direito, sem poder voltar atrás. ela percebeu que apesar de querer ser livre, o seu corpo não permitiu, levou-a em direcção ao percipício, por estar do lado para onde ela olhava sempre que se queria lembrar de ti, para a lua, era lá que que ia buscar os sentimentos que necessitava para continuar, por a fazer lembrar tanto de ti. chegou à conclusão, de que afinal ainda não sabia viver sem ti. não se importou nada de chegar à ponta do abismo e de se atirar, abriu os braços e simplesmente se deixou levar, porque a dor da queda, não a assustava, não sentia medo algum, pois já tinha enfrentado várias vezes a maior dor, a de não te ter.

Sem comentários:

Enviar um comentário