segunda-feira

voltamos a encontrar-nos, e não percebo se foi bom ou mau, se fez com que eu percebesse que eu sou o teu passado e tu o meu, ou se me fez mergulhar por entre todas as memórias, num poço de emoções. ver o teu sorriso mais tímido destinado a outro alguém, enviar-te sinais e aguardar uma mínima resposta ao longo de toda a noite, mas a única coisa que recebi em troca foi desprezo. tenho a necessidade de descarregar tudo, gritar, mas as palavras acabam por tropeçar umas nas outras e não me deixam expressar correctamente. abro ligeiramente a janela para observar o lado de fora pelo meio das pequenas gretas, mas o vento mostra-se no seu maior estado de fúria, entrando de rompante pela janela, projectando-me para longe, abrindo pequenas frechas na parede, com a capacidade de devastar tudo, fotografias, cartas e lembranças caídas no chão. depois de tudo isto, retira-se, tudo o que se encontrava entre estas quatro paredes ficou de pernas para o ar e, sinceramente, não tenho vontade de ficar aqui para colocar tudo como estava, virar as tuas fotografias para cima, não quero, seria torturante. está decidido, vou-me embora, mas sem malas, não posso correr o risco de ir com algo que me recorde de ti e, apesar de não levar nada, não me sinto vazia, antes pelo contrário, sinto-me preenchida e até mesmo feliz por finalmente te ter abandonado e seguir sozinho o meu caminho. fecho a porta e tranco-a, olho-a uma última vez e em vez de chorar, sorri por saber que ali fui feliz contigo, e que finalmente conseguir abandonar a solidão em que fiquei depois de todos os bons momentos terem acabado. recordo-me de tudo uma última vez e deito fora a chave para que a tentação de te procurar de novo, não me consuma e deite tudo a perder, para seguir caminho caminho sem olhar para trás uma única vez. virei costas e sigo rumo para um sítio mais agradável e, apesar de os primeiros passos em direcção à liberdade doerem, mantenho-me firme e continuo, percebendo assim que não foste um capítulo terminado, mas sim um livro completo que deixei para trás e eu, nunca mais o quero ler, estas foram as minhas últimas palavras dirigidas a ti, e não fica um até já, mas sim um adeus.

Sem comentários:

Enviar um comentário