domingo

até podia escrever-te tudo o que dentro de mim vai, mas perder-se-iam por entre linhas, o calor das palavras e o sabor das letras, das tuas letras que eram as minhas palavras, das linhas que eram tuas, nossas histórias. nunca as palavras se viraram contra mim, nunca me imaginei no lado oposto, do perigo, no do impossível, até agora. já nada nos suportou, nem o calor de um abraço, nem a tal cumplicidade, nem a palavra "talvez". olho-te uma última vez, já não encontro nada, nem um rasto da minha presença, seguiste sozinho caminho fora. foi um virar de página, onde os dramas não perduram. eu sou outra página, aquela que sem saber, soubeste deixar, aquela que mesmo não querendo aprendi a domar, à qual tu não me vais fazer voltar nunca mais. quebrei, o que em tempos dissera, não fazia já sentido. senti a necessidade de voltar para vasculhar entre todas aquelas palavras, que em tempos me ordenaram para seguir, as que me dessem uma razão para ficar, para saborear todos os bons e derrotar os maus momentos, mas a brisa que agora me trespassa os cabelos, em tempos anteriores fez o favor de levar para bem longe as tais palavras. é ela, é a brisa que ao contrariar o seu dever de me refrescar as ideias, não, partiu sem deixar vestígios, apagou todas as 'pegadas' para eu não a seguir, tornando todas as minhas certezas em incertezas e dúvidas asquerosas, das quais eu própria tenho medo. agora, onde estás tu? 

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