domingo

caíste, como se costuma dizer, que nem um patinho. meti-te à prova, para perceber se o que escrevias e o que dizias era realmente verdadeiro. sempre te mostrei o meu lado, a minha pessoa, sempre me entreguei a ti de corpo e alma, sem nada a esconder. por um dia fingi ser uma criança muito pequena, deixei-te o portão do nosso castelo ligeiramente aberto, e tinhas duas opções, ficavas e provavas-me que era tudo verdade ou fugias. resolveste fugir, revelaste que não sentias o que dizias sentir, e eu aí percebi, que a nossa história, não passou de uma simples brincadeira para ti, andaste a brincar aos príncipes e às princesas, enquanto eu pensava ser a sério. deixaste-me sozinha neste castelo enorme, cheio de memórias e recordações que teimam em ficar. tiraste-me o chão quando eu finalmente entendi que queria assentar, deixaste-me cair mesmo tendo dito que não o farias, roubaste-me a alma, como se tirasses um doce a uma criança, fugiste com o meu sorriso quando ele ganhou brilho, sendo agora uns simples lábios sem reacção alguma, sem força para se esticarem e mostrar que estou bem. perdi, perdi-te a ti, portanto perdi o mundo. vou-me deixar ir, vou lutar com todos os esforços possíveis contra tudo aquilo que sinto, e vou trancar este castelo a sete chaves, mudar a fechadura, para nunca mais teres acesso a ele, uma barreira para que não me voltes a tocar. todas as janelas bem fechadas para que o teu cheiro não me afecte, todas as portadas fechadas para que os meus olhos não te procurem. acabou-se, chega aqui o fim da nossa história, porque agora que tens outra princesa eu percebi que afinal eras um sapo, um sapo que eu não quero sequer tocar. e viveste feliz para sempre, fim.

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