segunda-feira

porque é que eu estou numa luta constante comigo mesma? porque é que eu não perco as forças de uma vez, e deixo de rasgar as folhas que nos separam? porque é que eu não deixo o nosso livro a ganhar pó na estante? a minha mão precisa da tua, preciso que os teus dedos se entrelacem nos meus, que me aqueças, preciso de ti. estás prestes a saltar da estante e a deixar-me ali sozinha, no meio de todas aquelas palavras, no meio de todas aquelas incertezas. porque é que não há um livro que responda aos "se's", que me faça ter a certeza que estás certo e eu é que estou errada, acredita que iria folhe-á-lo vezes sem conta, até me doerem os dedos, até conseguir encontrar, nem que seja uma mínima certeza, uma pequena resposta. por momentos só me apetece queimar todos os capítulos em que eu entro, esquecer por completo tudo, apagar todas as memórias, todas as lembranças que se tornam dolorosas para mim, dolorosas para ti, para ambos. a vontade que tenho é de pegar numa caneta e escrever, escrever o quanto te adoro, o bem que me fazes, o impacto que tens em mim, o quanto eu te quero e desejo. MAS NÃO, não o posso fazer, tenho que ficar quieta, tenho que deixar essas folhas em branco e escrever no meu corpo, para tapar as marcas que me deixaste, para que ninguém veja, para que ninguém perceba, que eu.. só te quero a ti. já escrevi, já rabisquei, até que o bico da caneta se partiu, espalhando-se a tinta e tapou tudo, tudo o que escrevi. talvez seja melhor assim, ao menos agora não vês as minhas palavras de mágoa ou de amor, pois não passam disso, palavras. enquanto o que eu te queria mostrar, eram gestos. acabou-se, rasguei as folhas. uma metade pertence-te, outra tenho eu, e a esperança que tenho, é que as voltemos a unir.. 

Sem comentários:

Enviar um comentário