neste tempo consigo ver a minha pessoa reflectida. a força do vento a mostrar toda a sua fúria, toda a chuva caída a representar todas as lágrimas que perdi por ti, o céu bem negro, mostra como eu vejo as coisas agora, tudo sem vida, tudo perdeu o seu maravilhoso encanto. eu, sem o teu esplêndido sorriso, sinto-me deveras vazia, a tua alegria preenchia-me, a tua voz era como uma melodia para mim, naquela altura, era nos teus braços que eu encontrava todo o conforto e consolo que precisava, eras tu que de um segundo para o outro, tornavas o meu mundo melhor, fazias com que deixasse de me sentir uma menina e passasse a ser uma mulher forte, indestrutível, e contigo por perto, todos os meus medos desapareciam. lembro-me e volto a relembrar todos os bons momentos em que estavas presente, e cada vez que o faço, dói, e volta a doer cada vez mais. já viste a ironia? ou será coincidência? enquanto eu estava totalmente em teu poder e assim vice versa, o sol encantava-me com todo o seu brilho, mas agora que partiste e teimas em não voltar, arrebatou-se sobre a cidade, um inverno impiedoso, onde o sol decidiu refugiar-se. agora admito, sinto medo, um medo incontrolável, por saber que já não vais estar aqui para me proteger. por isso, fugi, escondi-me, pressenti que seria a única maneira de me proteger. não sei como, tiveste a coragem de me encontrar de novo e resgatar-me de toda aquela escuridão, mesmo sem saberes. naqueles breves momentos em que os nossos olhos se cruzam, naqueles instantes em que as tuas palavras são dirigidas directamente para mim, sinto calafrios, tudo volta a ter cor, mas por muito pouco tempo. pois, depois de todo esse alarido dentro da minha cabeça, o sonho termina, e eu sou obrigada a aceitar que não passou disso, um conjunto de memórias. porque afinal de contas, eu represento a água onde estão submersas as tais memórias, e tu o céu, e o nosso horizonte só é visto em terra, onde nunca mais nos vamos encontrar.

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